Hygge | 10 PASSOS para alcançar a felicidade

Hoje eu vou falar sobre o hygge e a felicidade.

Você se acha uma pessoa feliz? De 0 a 10 qual nota você daria para a sua felicidade?

Sempre ouvi falar que em lugares quentes viviam as pessoas mais felizes. Mas as estatísticas mostraram o contrário, que são nos lugares gélidos que estão o povo mais feliz do planeta. Mas será que o frio tem a ver com isso? Ou será que é o fato destes países serem ricos?

E pesquisando, descobri que tanto na Dinamarca, como na Suécia existe uma filosofia de vida, um modo de ser e agir perante a vida que contribui para que alcancem níveis tão altos de felicidade. São eles o Hygge e o Lagom.

No post de hoje vou falar sobre o Hygge (Dinamarca) e no próximo mês aprofundo mais sobre o Lagom (Suécia).



Tudo que irei falar sobre o Manifesto Hygge você pode encontrar no Livro: “O Livro do Hygge: o segredo dinamarquês para ser feliz” de Meik Wiking.

o livro do Hygge

Existe outro livro que você encontra fácil aqui que fala um pouco sobre os costumes dinamarqueses e que adorei a leitura: “O segredo da Dinamarca” de Helen Russel.

livro segredo da Dinamarca

HYGGE: Significado

O Hygge (Hooga se quiser falar em português) é o estado de espírito do povo dinamarquês. A palavra não tem uma tradução literal, mas pode ser associada a “a arte de criar intimidade”, “conforto da alma”, “ausência de aborrecimento”, “ter prazer com a presença de coisas apaziguantes” e “convívio reconfortante”.

Na minha interpretação, o Hygge estaria ligado à palavra equilíbrio em todas as áreas de nossas vidas.

Existe até um manifesto Hygge, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa da Felicidade. SIM… eles têm um instituto para isso! No manifesto são contemplados 10 atitudes Hygge. Eu diria… 10 passos para alcançar a felicidade.

manifesto hygge

1 – Ambiente Hygge

Baixar as luzes.

A forma como você ilumina o espaço é um fator primordial para garantir um ambiente Hygge. E nada de luzes fortes e claras (com cara de escritório), o legal aqui é deixar a luz mais difusa e em pontos focais, criando um ambiente aconchegante. E os dinamarqueses conseguem isso utilizando velas. Eles são o povo que mais consomem velas na Europa.

Você também pode ter um efeito de luz aconchegante utilizando uma iluminação artificial. E por isso os dinamarqueses desenvolveram uma série de lustres com luz suave e difusa, que são ícones da decoração e que já foram premiadas em diversas mostras. São eles: O lustre PH (Henningsen, 1925), o Le Klint (Peder Vilhelm Jensen-Klit, 1943) e o Panton VP Globe (Verner Panton, 1969).

Você não precisa ter esses lustres para ter um ambiente Hygge. Basta usar velas ou escolher uma iluminação mais difusa e suave.

2 – Presença Hygge

Estou aqui e agora. Desligue o celular.

Tá aí uma coisa que é bastante difícil nos dias de hoje… desligar o celular. Quem nunca ficou numa mesa de restaurante ou num grupo de amigos olhando as novidades da rede social? É um vício, e por mais que às vezes tenhamos consciência de que isso é prejudicial, olha a gente de novo olhando as novidades.

Bem, na Dinamarca acredito que também existam muitas pessoas que não desgrudam do celular, mas lá ocorre uma coisa que acho que é bem legal e que unem as pessoas: os clubes de convivência. Existe clube para tudo: esportes, gastronomia, artesanato, literatura, etc. Você encontra o seu nicho e começa a interagir.

Mas é importante dizer que os clubes são feitos por pessoas e não por empresas, então você precisa primeiro se conectar com as pessoas do clube para criar afinidade.

Os clubes geralmente são pequenos para que haja uma interação melhor entre as pessoas e como a palavra CONFIANÇA é levada muito a sério lá, às vezes não é tão fácil uma pessoa nova entrar nesse círculo de amigos. Mas quando consegue entrar, tenha certeza de que são amizades para toda vida.

E acho que por isso fique mais fácil se desligar os celulares. Fazendo o que gosta e rodeado de amigos verdadeiros que compartilham suas paixões, a última coisa que você pensa é ficar navegando nas redes sociais.

3 – Prazer Hygge

Café, chocolates, bolachas, bolos, guloseimas.

Sei que está pensando… deve ser o povo mais obeso do planeta! Mas tudo deve ser consumido com moderação (pelo menos acredito que seja porque não estão no ranking dos 10 países com mais obesos do mundo. O Brasil está em 5º lugar).

Esse prazer é como um “presentinho” para nós mesmos, um intervalo prazeroso nas exigências da vida diária. É a nossa famosa pausa para um “cafezinho”. Só que além do cafezinho, a pausa lá é mais açucarada.

O consumo de doces na Dinamarca é o dobro da média europeia. Só perde para a Finlândia que é o país que come mais doces a nível mundial.

E com isso fico me perguntando: Será que comer doces tem a ver com felicidade? Será que o stress engorda mais que os doces, já que nós brasileiros somos o 5º país mais obeso?

Na minha reflexão, o doce na Dinamarca é usado como instrumento para uma pausa, para conversa entre amigos, para uma reunião em casa ou numa confeitaria. E isso sim que traz felicidade… pessoas!

4 – Igualdade Hygge

“Nós” e não “Eu”. Partilhar tarefas e tempo.

Uma das coisas que mais admiro nesse país é a igualdade. Igualdade de gênero, igualdade social, igualdade econômica. Não tô dizendo que o país é perfeito e que todo mundo deve agora fazer as malas e ir morar na Dinamarca. Acho que devemos aprender com eles.

Enquanto nós aqui no Brasil temos o manifesto “Jeitinho Brasileiro” onde a individualidade sobrepõe à coletividade. Na Dinamarca tem o manifesto “Hygge”, onde a coletividade sobrepõe à individualidade. Onde a Confiança é a palavra de ordem e tudo é pensado no bem comum.

Um exemplo que me chocou (como brasileira) no início é a alta taxa de impostos na Dinamarca. Lá, quanto mais rico, mais imposto paga, chegando a reter 51% do valor recebido. Muito né? Se isso acontecesse aqui ia ser a 3ª Guerra Mundial.

Mas lá a confiança no governo existe, afinal não tem o nível de corrupção que existe aqui. E esses impostos que são arrecadados são convertidos em melhorias para a coletividade. Saúde, Educação, Segurança, Qualidade de Vida. Qual povo não seria feliz tendo todos esses requisitos atendidos?

Outra coisa que também achei bem interessante é o fato das pessoas na Dinamarca não sonharem em serem milionárias (afinal, pagam mais impostos). E isso ajuda na sua relação com o trabalho e com a família. Não precisam se sobrecarregar tendo vários empregos para completar a renda (o governo supre bem todas as necessidades básicas) e por isso acabam trabalhando menos (média de 6 horas diárias) e com isso aproveitam melhor o convívio com a família e amigos. Isso sim é felicidade!

5 – Gratidão Hygge

Sempre.

Não importa a religião, a situação econômica, o clima, o país que você vive… ter gratidão sempre é bom. Faz bem para alma.

E uma dos elementos importantes do manifesto Hygge é nutrir esse sentimento de gratidão. E para mim gratidão tem tudo a ver com felicidade.

6 – Harmonia Hygge

Isto não é nenhum concurso. Já gostamos de ti. Não é preciso se gabar (ou a palavra da moda… ostentar).

Quer coisa mais chata do que aquela pessoa que fica se vangloriando dos seus feitos, que fica ostentando o que tem para se parecer melhor que os outros.

Infelizmente “ostentar” virou moda e está enraizado no modo de pensar, de agir, de vestir, nas músicas, etc. É o suprassumo do individualismo.

E o manifesto Hygge está de encontro com a ostentação. A harmonia é valorizada pela igualdade, pela coletividade, e não por feitos individuais. Isso não quer dizer que não exista divulgação de feitos individuais, mas isso é feito de forma mais velada. É como todo o discurso de jogadores de futebol. Por mais que seja a estrela do time, o resultado sempre é em favor do grupo.

Essa atitude a meu ver gera mais união, confiança, autoestima e produtividade ao grupo. Deve ser incorporado em todas nossas relações sociais.

Estamos vivendo numa sociedade de ostentação tão grande que muitas vezes nos esquecemos do nosso potencial, não confiamos em nós mesmos. Achamos sempre que “fulano” é melhor que a gente. Vivemos nos inspirando nos feitos dos outros e não em nossos próprios feitos. E isso gera depressão, procrastinação, desorganização da vida. Você quer ser tudo e às vezes não consegue ser nada.

E a Harmonia que o Hygge quer mostrar tem a ver com a nossa harmonia interna. O gostar pelo SER e não pelo TER.

7 – Conforto Hygge

Vamos ficar à vontade. Fazer uma pausa. A descontração é essencial.

Os dinamarqueses em geral gostam de um tom casual, um ambiente casual e um estilo casual.

Isso pode ser traduzido em duas palavras: funcionalidade e minimalismo. Acredito que os dinamarqueses não devem ter muitos problemas com desorganização. Rsrsrs

Em relação ao vestuário, talvez não me agrade muito porque o guarda-roupa deles é predominantemente preto e cinza (comum em lugares muito frios). Mas uma coisa é certa: isso ajuda muito na hora de vestir. Não perdem muito tempo escolhendo combinação de cores. Tudo combina entre si.

Em relação à decoração da casa, os dinamarqueses investem pesado em artigos renomados (muitos dos grandes designers são dinamarqueses). E por ser uma paixão nacional o designer de interiores, além de ser muito Hygge receber amigos em casa, os dinamarqueses não poupam esforços para ter uma casa bem decorada e aconchegante.

Mas isso não quer dizer que a casa é entulhada de coisas. Longe disso! Tudo é pensando de forma funcional e com o espírito minimalista. Até porque querem deixar em evidência aquela peça de um designer renomado que juntaram dinheiro para obter.

Ah… outra coisa muito presente na casa dinamarquesa é a natureza. Seja na madeira, plantas ou peles. A natureza traz o Hygge para dentro de casa.

8 – Tréguas Hygge

Nada de dramatismo. Falaremos de política noutro dia.

Não importa em qual país você vive, três assuntos devem ser proibidos numa reunião com amigos e familiares: política, religião e futebol (ou time preferido). E falo por experiência própria que já briguei com parentes e com o marido por causa de discussões sobre política.

Cada pessoa tem a sua crença e devemos respeitar. E para não criar atritos desnecessários, melhor deixar certos assuntos para outras ocasiões que se tornem mais pertinentes.

Ter uma ocasião Hygge é ter descontração e experiências boas. Então é melhor dar uma trégua para assuntos que criam polêmica.

9 – Convívio Hygge

Criar relacionamentos e narrativas. “lembra daquela vez em que nós…”

Felicidade tem a ver com sensações e experiências. E isso dificilmente nós conseguimos sozinhos em frente à TV ou vidrados na tela do celular. Pare e pense agora… Quais os momentos da sua vida que te remetem à felicidade? Tenho certeza que serão momentos onde existam pessoas e não tecnologias.

E o manifesto Hygge pretende estimular isso: criar experiências felizes com as pessoas. Seja na sua casa aconchegante rodeada de velas, seja na pausa do trabalho regado a doces, seja nos clubes fazendo seu esporte favorito. O que importa é manter laços afetivos de confiança e união.

10 – Refúgio Hygge

Este é um lugar de paz e segurança.

Como é bom viver num lugar onde nos sentimos em paz e em segurança. Infelizmente não é a realidade para muitas pessoas. E não é à toa que o nosso mundo tem um número cada vez crescente de REFUGIADOS, ou seja, pessoas que não encontram mais a paz e a segurança nos seus países. Quer infelicidade maior que esta?!

E por mais que sua região não seja a mais segura (onde moro é um exemplo), você pode trazer a paz e a segurança para dentro da sua casa. O mundo pode estar se destruindo da porta para fora, mas da porta para dentro da sua casa todos são bem acolhidos.


Eu não moro num país que tem o Manifesto Hygge como ideologia, mas tento na minha casa ter os 10 preceitos citados aqui. Claro que não sigo com perfeição, mas tento evoluir a cada dia e ser feliz a cada dia. Quer coisa mais Hygge do que viver o presente?

E você? Como anda sua felicidade? Quais dos preceitos do Manifesto Hygge você mais gostou? Qual você adota ou teria vontade de adotar?

Termino aqui com uma frase de Benjamin Franklin

“A felicidade consiste mais em pequenas conveniências ou prazeres que ocorrem todos os dias do que em grandes pedaços de sorte que acontecem raramente.”

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Priscila Randow

Priscila Randow

Sou uma capixaba-sergipana Bióloga, Mestre e Doutoranda em Sustentabilidade, Personal Organizer e idealizadora do Blog Dica Organizada. Quando percebi que a natureza é perfeita por ser organizada encontrei meu nicho de atuação. Siga-me do Instagram: @dicaorganizada

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