Apego físico e emocional | Como se livrar?

Hoje o post é sobre como o apego pode nos aprisionar e como o desapego pode nos libertar.

Meu intuito aqui não é fazer com que você jogue fora o que tem. Mas, fazer com o que o NECESSÁRIO se manifeste.

Se você ainda tem medo dessa libertação, esse post é para você!

O Apego e o budismo

Hoje se fala muito sobre organização, e por consequência, sobre o desapego. Mas, o desapego é uma prática já estimulada desde o século VI a.C com a doutrina budista.

O Budismo é uma doutrina filosófica e espiritual surgida na Índia, no séc. VI a.C. Ela tem como preceito a busca pelo fim do sofrimento humano e assim, alcançar a iluminação.



E uma das grandes causas para esse sofrimento humano, segundo os budistas, é o apego. Esse apego pode ser por um sentimento ou por algum objeto.

Existe uma história zen antiga muito propagada pelos budistas que representa bastante esse apego. Essa história foi extraída do site budavirtual.

O mestre e o discípulo

O discípulo e o mestre estavam a caminho da aldeia vizinha quando chegaram a um rio caudaloso e viram na margem, uma bela moça tentando atravessá-lo. O mestre zen ofereceu ajuda e, erguendo ela nos braços, a levou até a outra margem. E depois cada um seguiu seu caminho. 

Mas o discípulo ficou bastante perturbado, pois o mestre sempre o ensinou que um monge nunca deve se aproximar de uma mulher, nunca deve tocar uma mulher. O discípulo pensou e repensou o assunto. Por fim, ao voltarem para o templo, não conseguiu mais se conter e disse ao mestre:

— Mestre, o senhor me ensina dia após dia a nunca tocar uma mulher e, apesar disso, o senhor pegou aquela bela moça nos braços e atravessou o rio com ela.

— Tolo – respondeu o mestre – Eu deixei a moça na outra margem do rio. Você ainda a está carregando.

Qual a moral da história?

O desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga. Mas a possibilidade de encararmos os problemas de frente com sinceridade e resolvê-los sem nos apegar com os sentimentos que podem gerar.

desenho de Buda com frase sobre desapego

O desapego dos bens materiais

Muita gente tem dificuldades de desapegar dos bens materiais. Não que isso seja uma regra e você precisa sair doando tudo. Mas precisamos, antes de tudo, refletir qual o papel do objeto na nossa vida.

No meu trabalho é bem comum ver o acúmulo de coisas sem nenhum propósito na casa de clientes. Muitas vezes a falta de uso é por desorganização, outras vezes é porque existe um apego forte por aquele objeto.

Claro que temos aqueles objetos de cunho sentimental. Todo mundo tem. Eu também tenho! Mas precisamos dosar isso, porque é comum ver pessoas que não se desapegam de nada com a desculpa que possui um vínculo sentimental.

Eu já vivenciei uma situação relacionada a isso no meu trabalho. Infelizmente, não pude ajudar a cliente e recusei o trabalho.

O apego que aprisiona

A história é de uma cliente que me chamou porque queria organizar a casa dela e porque o marido estava incomodado com a bagunça.

Quando fui fazer a visita técnica vi que todos os armários da casa estavam abarrotado de coisas. O apartamento era grande, mas mesmo assim não cabiam a infinidade de coisas. O problema ali não era falta de armários e espaço, mas de acúmulo de coisas.

Conversei com a cliente e fui bem sincera. Primeiro disse que ela precisaria rever muitos objetos que existiam ali. Depois falei que sem essa etapa de triagem (desapego) não poderia ajudar ela a organizar.

Ela inicialmente arregalou os olhos e disse que queria organizar a casa e não doar as coisas. Eu senti que ela ficou muito incomodada com a palavra desapegar. Depois disso ela começou a abrir os armários e ficou contando as histórias dos pertences.

Primeiramente falou do enxoval de casamento que a mãe fez e nunca usou. Esse enxoval ocupava boa parte da rouparia. Depois falou do enxoval, brinquedos e objetos do filho que guardava e não poderia se desafazer.

Eu comecei a perceber que não poderia ajudar ela naquele início. Existia algum sentimento ali inexplorado que a fazia ser prisioneira dos pertences. Então, minha atitude naquele momento foi tentar tirar o foco da organização. Eu queria entender o porquê daquele sentimento.

O apego que faz sofrer

Minha estratégia para entender o sentimento da cliente foi puxar assunto sobre situações cotidianas. Fomos conversando até chegar ao tema “mãe”. E ao lembrar da mãe ela começou a se emocionar e chorar. Também começou a contar situações que deixavam claro que não estavam bem resolvidas para ela.

Ali ficou claro para mim: ela precisava primeiro se libertar do apego emocional, para depois se libertar do apego físico. 

Durante a conversa, o marido chegou em casa e viu toda a emoção da esposa. Fiz um resumo de tudo e ele desabafou que aquela situação incomodava muito ele. A desorganização era um ponto de conflito em casa e o apego também.

Depois de tudo exposto, disse que naquele momento não poderia ajudar eles. Meu conselho foi que resolvessem primeiro essas questões emocionais que tanto a fazia sofrer. E só depois disso poderia trazer o conforto do lar com a organização.

Eles entenderam e concordaram com o meu posicionamento e sinceridade. Depois me agradeceram pelo cuidado e carinho com a situação. Por fim, disseram que me chamaria novamente quando fosse o momento.

Ainda não me retornaram. Talvez ainda estejam resolvendo esse processo que é difícil e demorado. Ou conseguiram fazer a organização sozinhos. O importante que fiz meu papel e estou muito feliz com isso!

O desapego que liberta do consumismo

A história agora é de uma cliente que me chamou para organizar o seu quarto.

Durante o processo de organização fui percebendo o acúmulo de alguns itens que não eram utilizados. Fui conversando com a cliente sobre o acúmulo, e mesmo ela entendendo a situação, não conseguia desapegar. 

A organização foi finalizada, otimizando os espaços. Porém, o resultado poderia ter sido melhor se o desapego fosse feito.

Um ano depois da organização, essa cliente entra em contato comigo. Ela queria me convidar para um bazar que estava realizando. Confesso, foi uma grande surpresa para mim. Ao chegar no bazar descobri que ela colocou 90% de todas as peças para vender. Fiquei chocada!

Com um abraço fraternal, ela me agradeceu por ajudá-la a se libertar do apego e do consumismo. Ela revelou que precisou de alguns meses após a organização para refletir sobre todo o processo e se convencer que era prisioneira do apego.

Veja o depoimento emocionante gravado no dia.

Depoimento da cliente no bazar.

O desapego que liberta da baixa autoestima

Essa última história é de uma cliente que ganhou de presente da sua mãe a organização do closet. Inicialmente, a cliente não dava muito crédito para a organização e achava que o presente era um capricho da mãe.

Durante a organização percebi que existiam roupas de diversos tamanhos no closet. Ao questionar a cliente o porquê disso, ela disse que era magra antes de engravidar. Mas, que um dia caberia novamente naquelas roupas.

Ao dizer isso, percebi que a situação causava um sofrimento e uma frustração para ela. Em alguns momentos a vi expressando que não tinha o que vestir, mesmo com o closet lotado.

Depois de constatar o que a preocupava, fizemos um trabalho de desapego das roupas que não cabiam mais. Ela pareceu bem tranquila quanto ao processo e desapegou facilmente. Talvez precisasse somente de um empurrão para isso acontecer.

Com o fim do processo, foram tiradas várias sacolas do closet.

cinco sacolas de plástico com roupas que foram desapegadas
Resultado do desapego.

Somente ficaram as roupas que estavam boas para o uso atual. Também ficaram as roupas de gestante, já que pretendia engravidar dentro de pouco tempo.

Quando acabou o processo de organização recebi um depoimento desta cliente que me emocionou. Ela começou a se sentir melhor após a organização. Sua autoestima se elevou e diminuiu a dose do remédio que tomava para depressão.

depoimento da cliente que se libertou do apego
Depoimento cliente.

Essas histórias eu trouxe para mostrar como o desapego é libertador. Por isso ele é tão importante no processo de organização.

Você se reconheceu em alguma história? Conhece alguém que precisa se libertar? Mande esse post para ela!

Grande beijo!

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Priscila Randow

Priscila Randow

Sou uma capixaba-sergipana Bióloga, Mestre e Doutoranda em Sustentabilidade, Personal Organizer e idealizadora do Blog Dica Organizada. Quando percebi que a natureza é perfeita por ser organizada encontrei meu nicho de atuação. Siga-me do Instagram: @dicaorganizada

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2 respostas

  1. Excelentes reflexões! ✨ As vezes, só precisamos de ajuda, de um empurrãozinho, para transformar nossa vida através da organização. Que lindo ler e assistir esses depoimentos, uma pequena parte de quão especial é o seu trabalho, Pri.

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